Alerta: Spoilers.
Como vos tinha dito, o livro “O Regresso de Larry Miller” acabou com muitas questões em aberto, o que me deu um entusiasmo imenso para ler “A Última Carta”.
Ao contrário do primeiro livro, que estava dividido entre o ponto de vista do Thomas e capítulos soltos, este estava dividido em quatro: Thomas, Lauriane, passado e assassino. Ao contrário do que estou habituada a ver nos livros, os pontos de vista não estavam identificados por títulos, mas sim por ícones, por exemplo, o passado era representado com uma ampulheta (confirmar se era o passado ou o assassino!). Gostei imenso deste pormenor, só veio a intensificar mais a interatividade existente entre o livro e o leitor.
Em relação à história e às personagens, houve uma evolução enorme, passamos a ter uma Lauriane mais certa de si, ainda mais destemida e podemos finalmente saber o passado dela; o inspetor Thomas começa a deixar cair a máscara que usa, mostrando-nos ainda mais o quanto o passado dele o prende. Os crimes foram detalhados de uma forma fria e bruta, mas, apesar de ter custado ler e imaginar os crimes, foram necessários para dar um impacto maior ao livro e para dar a conhecer as verdadeiras motivações do vilão.
Na continuação, ficamos a descobrir o verdadeiro nome do inspetor W. Thomas, Wesley Thomas e deparamo-nos com um jogo que o assassino cria com o inspetor. O assassino vai-se mostrando a cada jogo mais íntimo do Thomas, o que dá a entender à personagem que o assassino é alguém que já foi ou é próximo dela. Para mim, o autor soube ainda mais envolver o leitor neste mistério, é algo que admiro muito na sua escrita e, muito provavelmente, é o ponto forte dele enquanto escritor.
Percebi ao longo do primeiro livro que alguém queria vingar-se de Thomas, era óbvio com os desaparecimentos que existiram e as cartas. E, desde o início que suspeitava que a morte do irmão gémeo de Thomas não tinha ocorrido como o mesmo a descrevera, mas admito que não esperava o final frio que os dois irmãos acabaram por ter.
Apesar de ter gostado do plot twist, não consigo assimilar muito bem o facto de o Thomas ter mentido, eu percebo que eram crianças, mas chocou-me a ideia de ele ter visto o gémeo a ser raptado e ter acabado por dizer que o irmão devia ter caído no poço enquanto brincavam. Não sei, foi um acontecimento que me deixou de perna atrás e que me permitiu entender mais a raiva do irmão gémeo de Thomas.
O final em si é que não esperava, na minha cabeça tudo ia correr bem e o Thomas ia finalmente tirar o peso dos ombros, o irmão iria preso e a Lauriane ia poder continuar a desvendar mistérios com o seu parceiro.
Infelizmente e felizmente, a única coisa que o autor nos deixou foi o final semi feliz de Lauriane, que se tinha apaixonado por Thomas e o perdeu, mas que será uma ótima inspetora como sempre o desejou ser.
Estou ansiosa por ler mais livros deste escritor português!
Autoria: Carina
Autoria das fotos: Carina
Revisão: Mariana Chorão

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