Alerta: Spoilers.

O “Regresso de Larry Miller” escrito por Carlos Miguel Ferreira foi uma surpresa para mim. Tudo começou ao acaso, entrei num programa de leitura da rádio da faculdade e reparei que um dos livros que íamos ler se chamava “A Última Carta”. A capa do livro captou a minha atenção, por isso, fui logo pesquisar, chegando à conclusão de que era a continuação de “O Regresso de Larry Miller”.

Como a capa me prendeu imenso, não perdi tempo e comprei logo o primeiro.

O livro é um thriller que tem um ligeiro romance entre linhas, fala-nos do inspetor Thomas e da Inspetora Lauriane. Thomas tem duas missões, voltar a captar o serial killer e perceber se Lauriane, devido ao seu passado controverso, estaria apta para ser uma inspetora.

Apeguei-me bastante às personagens e a vida movimentada que levavam, acima de tudo, fiquei super envolvida no mistério todo. O livro focava–se imenso em Larry Miller, mas deixava claro que este não era o verdadeiro tema da história, o verdadeiro tema era o passado de Thomas.

Supostamente, Thomas tinha perdido o seu irmão gémeo aos sete anos depois de andarem a brincar às escondidas perto de um poço. Algo de que começamos a duvidar com as atitudes, o nervosismo, a culpa e a assombração constante que rodeia Thomas.

Apesar de a história ser bastante previsível, desde o primeiro livro até ao último/segundo (que iremos falar num outro artigo), adorei a escrita de Carlos. Mesmo sabendo e tendo teorias atrás de teorias que vão de encontro à história,  a escrita dele é tão fluída e agradável que o ser previsível não se torna propriamente um ponto fraco.

Gostei imenso da organização dos capítulos e da mudança de datas, prestem bastante atenção ao dia, mês e ano em que o capítulo se desenvolve.

Um ponto super forte do livro, para mim, foram os relatórios de investigação criminal integrados ao longo da narrativa. A leitura ficou mais interativa e foi algo diferente de se ver. Para além disso, sentia-me como se fosse a Lauriane a ler os relatórios para tirar conclusões da fuga do Larry Miller. 

No que diz respeito às personagens, apesar de gostar de Thomas, a personagem era um pouco ou tanto convencida e isso tirou-lhe um bocadinho o brilho, gostava de ter visto uma personagem mais sincera e que se mostrasse um pouco mais empática. Não gostei nada que o Thomas se tivesse fixado tanto na fuga de Larry Miller e que tenha desprezado o desaparecimento de uma jovem, onde o raptor tinha até deixado uma carta para ele ler. Se é tão bom inspetor, porque decidiu não ver a imagem como um todo? 

A Lauriane, gostei imenso, acho que não havia como não gostar, é corajosa, indomável e inteligente. Fiquei com imensa vontade de ver, ou melhor, conhecer, mais um bocadinho dela no próximo livro. A personagem é uma das principais, porém o passado dela fica mais escondido do que o de Thomas. Foi uma pena não ter tido o reconhecimento que merecia na esquadra em que trabalhava, espero que este aspeto mude.

A Catherine, gostava que tivesse havido um desenvolvimento maior nos capítulos sobre ela. Sei que a cena em que ela entra e a participação dela não vêm do ar, mas, para mim, é quase como se fosse só para encher a história. 

Apesar de tudo, foi uma das minhas leituras favoritas de 2025 e recomendo imenso que deem uma oportunidade a este livro. Terminou com muitas questões em aberto, o que me deu logo imensa vontade de ler o segundo.

Autoria: Carina

Autoria das fotos: Carina

Revisão: Mariana Chorão