Nota: Caso não tenham lido o livro em questão, alerto-vos que este artigo terá spoilers que podem estragar a vossa leitura.


Após ter lido tantas comédias românticas escritas pela autora Andreia Ramos, a verdade é que fiquei bastante curiosa com esta fantasia infantojuvenil. Sabia que seria muito diferente do outro género literário a que me habituei, mas quis dar uma oportunidade.

Os livros originais da série A Defensora do Oculto já não estão disponíveis, mas conseguem encontrar os últimos exemplares da reedição na Livraria Algodão Doce. Eu ainda só adquiri os primeiros dois volumes, mas a probabilidade de comprar os outros três é enorme!

Passemos então à minha opinião sobre o livro em si.

 

O livro é super fácil de ler. Pensei que, por ser infantojuvenil, fosse dar alguma luta, mas isso não aconteceu. Devorei o livro sem qualquer problema. A escrita da autora é simples e fluída.

A ação passa-se em Diamond City, uma cidade que parece ser situada nos Estados Unidos. No entanto, algumas partes da narrativa deixam-nos confusos por também parecer ser em Portugal.

Gostei bastante da parte inicial, de conhecer a protagonista, Chelsea Burke, uma rapariga ruiva, desastrada, que está sempre atrasada para tudo e que não gosta nada de estudar. Gostei da forma como a Chelsea encontra o colar por acaso e é isso que lhe dá os poderes. Acho que é uma fórmula simples, mas que resulta. A sua reação à conversa com o Will sobre os demónios também foi muito bem conseguida, afinal, quem iria acreditar que os demónios realmente existem?!

Um aspeto que me deixou um pouco triste foi o facto de a Chelsea ser uma melhor amiga para os amigos do seu irmão Richard, o PJ e o Jensen, do que para os seus próprios amigos, o Tony e a Helen. Ao longo do livro temos muitas passagens que referem essa amizade, mas, sinceramente, essa é mesmo a única razão para acreditar que tal relação existe, sendo que a protagonista quase nunca está ou comunica com eles. Depois até aparece uma outra personagem, a Cassie, que adorei imenso, e que se torna logo uma melhor amiga, fazendo com que os outros dois ficassem mesmo esquecidos.

A relação da Chelsea com a sua família foi algo que gostei de ver. A forma como em poucos momentos conseguimos ver a ligação que tem com a mãe, o quanto gosta dos avós e a proximidade que tem com o irmão foi a minha parte preferida. No entanto, acho que o pai, o xerife da cidade, deixou um pouco a desejar. Que raio de pai diz à própria filha que antes do dever de pai vem o seu dever para com a cidade?

Acho que o livro ficou a ganhar imenso por ter sido escrito na terceira pessoa. Embora seja algo já não muito comum, os livros agora parecem ser quase todos narrados na primeira pessoa, aqui fez todo o sentido. No entanto, não vou negar o quão cansativo foi ler “a ruiva”, “a rapariga dos cabelos ruivos”, “os caracóis ruivos” 500 vezes por página. Era um alívio quando aparecia o Jensen a chamar-lhe cabeça de fósforo para variar um pouco.

Adorei que a parte da escola não ficasse esquecida na história, afinal, ainda que a protagonista tenha de salvar o mundo, também é importante acabar o ensino secundário! Gostava que tivessem existido capítulos, ainda que poucos, sem demónios, nem lutas, apenas a Chelsea a ser uma rapariga normal, mas tal não aconteceu.

Ao início, gostei bastante que a protagonista não fosse a típica rapariga perfeita, que tem tudo controlado e dá conta de todos os recados. Mas também esse aspeto se tornou cansativo e extremamente exagerado, considero até que deixa a protagonista algo infantil. Senti também que em muitas lutas o mascarado tinha mais crédito na vitória do que a própria Defensora do Oculto (e nem me vou alargar sobre a forma como os amigos a julgavam).

Gostei bastante da evolução da história, da forma como a Chelsea aceitou o seu papel de heroína, o quanto treinou com o Will e o facto de ter parado de deixar que o medo a dominasse. Acho que fazia bastante sentido ter havido uma certa mudança na narrativa para que deixasse o nível de desastrada que tinha.

Quanto à sua relação com o Jensen, embora super apoie, gostava que se tivesse desenrolado de outra forma. Para mim, começou logo mal. Então a rapariga recusa sair com o PJ porque eles, o Richard e o Jensen se conhecem todos desde pequenos e são todos como irmão e logo a seguir aceita sair com o Jensen? Eu sei que as circunstâncias eram diferentes, devido ao destino e tal, mas esse diálogo não teve qualquer lógica.

As minhas personagens preferidas foram, sem dúvida, a Cassie, o Will e o Jensen e espero que as possamos conhecer melhor no próximo volume. Sinceramente, acho que todas as personagens foram introduzidas de forma muito superficial e que não sabemos assim tanto sobre elas.

Adorei o final, o combate com duas das bruxas e, de certa forma, haver um reset. Acho que foi um fim com todo o sentido e que me deixou com muita curiosidade para ler o segundo volume. A minha classificação final é de 3,5/5 estrelas.



Autoria da publicação: Mariana

Fonte das imagens/fotografias e vídeos: Pinterest, Andreia Ramos e Mariana

 Revisão: Mariana Chorão