Depois de ter partilhado convosco a minha experiência durante a licenciatura que fiz em Ciências da Linguagem, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e de ter recebido algumas mensagens vossas também com a experiência que tiveram, decidi que seria importante partilhar também, um ano depois, o que achei do meu primeiro ano no Mestrado de Tradução, na mesma instituição.

 


Foi a 19 de abril de 2024 que soube que tinha sido aceite no Mestrado de Tradução. Ainda nem tinha acabado a licenciatura e sentia a pressão para a terminar (se não acabasse não servia de nada ter sido aceite no mestrado), mas ao mesmo tempo senti que era uma motivação extra para acabar aquelas cadeiras chatas.

Desta vez, a minha experiência foi muito mais positiva: fiz amizades, tirei notas realmente boas, gostei bastante do curso, da maioria dos professores e das cadeiras.

 

Visão geral do curso:

·       As cadeiras são bastante práticas, apenas duas das nove que fiz eram teóricas;

·       Gostei imenso da diretora do curso;

·    Aprendi mais do que esperava, até coisas que não eram propriamente sobre tradução;

·  Pude escolher todas as cadeiras com exceção das duas obrigatórias (as teóricas).

 

Cadeiras do primeiro ano (que eu fiz):

·       Língua, Discurso e Tradução (obrigatória);

·       Produção do Português Escrito – Nível Avançado;

·       Tradução Assistida por Computador – Nível Avançado;

·       Tradução do Audiovisual I - Inglês/Português;

·       Tradução Literária I - Inglês/Português;

·       Língua, Cultura e Tradução (obrigatória);

·       Linguística Computacional (orientada para os recursos lexicais) [como vale mais créditos, fiz nove cadeiras em vez de dez];

·       Tradução do Audiovisual II - Inglês/Português;

·       Tradução Literária II - Inglês/Português.

 

A minha experiência:

Antes de chegar o dia em que tínhamos de escolher as cadeiras que queríamos fazer, tivemos todos uma reunião individual com a diretora do curso para ela nos ajudar e aconselhar. Lembro-me de, na altura, ter ficado reticente sobre algumas das minhas escolhas, mas agora, olhando para trás, estou bastante satisfeita.

Quando chegou o primeiro dia de aulas, estava quase em pânico. Não conhecia ninguém e como tinha um furo de três horas no horário, estava a sentir-me bastante ansiosa quanto a ficar tanto tempo sozinha. No entanto, tentei lembrar-me do trabalho que fiz na psicóloga para me preparar para este momento e consegui fazer duas amizades no início da primeira aula!

Ao contrário da licenciatura, senti que no mestrado, apesar de cada um continuar a fazer o seu horário, por termos mais aulas juntos, é mais fácil fazer amizades. Assim, ao longo do semestre, consegui fazer outras amizades sólidas e acabámos por formar um grupo de oito (que já conheceram por aqui noutros artigos).

De forma geral, gostei bastante das cadeiras que escolhi e dos professores (com poucas exceções). Aprendi imenso com Tradução Literária (a minha área de Tradução preferida), mas a que mais me surpreendeu foi Tradução do Audiovisual, que foi também a mais divertida. A professora desta cadeira foi sem dúvida a minha preferida e as aulas contribuíram para fortificar as amizades que fiz (sendo que era a única aula em que estávamos todas).

Gostei tanto do curso que vi as minhas notas a aumentarem bastante, graças à motivação que sentia. Enquanto na licenciatura acabei com média de 13, acabei o primeiro ano do mestrado com média de 17,10.

Não vos sei dizer se “compensa” fazer um mestrado em tradução depois de fazer licenciatura na mesma área, mas se se licenciaram noutra área, então compensa imenso. Sinto mesmo que aprendi imensas coisas.

O segundo ano do mestrado consiste em fazer tese, estágio ou projeto e, por isso, o ano letivo acabou oficialmente com a minha candidatura ao estágio. Desde que soube que tinha entrado no mestrado que “sonhei” em estagiar numa editora. No entanto, percebi que não é algo assim tão fácil.

A forma como as candidaturas ao estágio funcionam é: ou escolhemos uma das entidades com quem a faculdade tem parceria ou temos de ser nós a arranjar um. Aviso-vos já, por experiência, que arranjar um estágio numa editora é praticamente impossível. Infelizmente, é um meio muito fechado e nem se dão ao trabalho de responder a um email. Cheguei ao ponto de quase perder a cabeça e enviei mensagens pelo Instagram a algumas editoras. As que responderam ou disseram logo que não estavam a aceitar estagiários ou pediam que enviasse email (e depois nunca mais diziam nada). Confesso que fiquei bastante desapontada. Esforcei-me imenso durante todo o ano à espera deste momento e vê-lo a escapar-me por entre os dedos foi bastante complicado para mim.

No entanto, há sempre uma réstia de esperança. A faculdade costuma ter parceria com uma editora e, portanto, candidatei-me de forma a conseguir, pelo menos tentar, seguir o meu sonho. E ENTREI! Consegui ficar colocada no estágio que queria!

Portanto, daqui a uns tempos voltarei para vos contar como tudo correu!


Autoria da publicação: Mariana

Fonte das imagens/fotografias e vídeos: Mariana

 Revisão: Mariana Chorão