Sabem aquela série que começam a ver só porque não têm nada para fazer, mas depois acaba por ser uma das vossas séries favoritas? Foi o que me aconteceu com “Only Murders in the Building”. Apesar de adorar a Selena Gomez, tanto como cantora quanto como atriz, demorei imenso para começar a ver “Only Murders in the Building”. A série simplesmente não me chamava a atenção.
Bastou um dia com o tempo mais chochinho e acabar a série que andava a ver, para lhe dar uma oportunidade e acabei viciada.
Quem diria que combinar um trio constituído por dois homens mais velhos - Charles-Haden Savage (Steve Martin) e Oliver Putnam (Martin Short) - e uma jovem - Mabel Moura (Selena Gomez) - fosse ser uma combinação tão boa? Pois, eu não o diria.
A amizade entre as três personagens e o podcast criado é cheio de gargalhadas e mistério.
A série começa com um homícidio no prédio que acaba por unir o trio ao descobrirem, na altura em que o prédio foi evacuado, que ouviam o mesmo podcast. A partir daí, cria-se uma amizade e uma vontade enorme de descobrir quem é o assassino.
Cada temporada, apesar de existir continuidade na evolução das personagens, foca-se num novo homicídio. Sempre misturando o humor com o mistério, as temporadas são incríveis e completamente viciantes!
Na primeira temporada, deparamo-nos com uma Mabel mais desconfiada e isolada, uma personagem que não queria contacto com o mundo exterior e que guardava as mágoas todas para dentro. Com o tempo, a Mabel torna-se uma personagem mais extrovertida, ainda que tímida, já não se isola no seu canto e tem os seus dois amigos com quem sabe que pode contar, o Charles-Haden Savage e o Oliver Putnam. Passamos de uma personagem desconfiada e, de certa forma, insegura, para uma personagem que está finalmente disposta a construir um futuro para ela e, de vez em quando, vemos uma líder dentro do trio.
Enquanto o Charles, na primeira temporada, se mostra uma personagem cabisbaixa, a viver numa tristeza imensa pelo seu momento de fama em Hollywood ter chegado ao fim, a sua vida toda era ser uma estrela e, pior, ele sentia que sem ser uma estrela, não era mais nada. Na 5º temporada temos um Charles, espevitado, a sorrir, a tentar dizer piadas e, até mesmo, a aprender a mexer nas tecnologias amorosas e a experimentar aplicações de encontros. Claro que esta mudança não foi súbita, o Charles passou por outros interesses amorosos ao longo das temporadas e várias tentativas falhadas em esquecer o passado e focar-se no presente. Passamos de uma personagem insegura e presa ao passado para uma personagem ativa e corajosa, sem medo de enfrentar riscos.
Por fim, o Oliver, na primeira temporada aparenta ser uma personagem egoísta, que quer sair por cima de todos, impulsivo, age sem pensar nas consequências e só vai com a onda dos acontecimentos. Apesar de aparentar isto tudo, no fundo é só um ex-diretor da Broadway que foi à falência e que se sente tão perdido quanto as outras personagens. Durante as temporadas, esta ideia vai desaparecendo, Oliver começa a mostrar maturidade e responsabilidade emocional pelas pessoas que o rodeiam. Passamos de uma personagem que era movida pelo ego e que era egocêntrica para uma personagem mais humana, mais leal e consciente dos atos e das consequências.
Cada episódio, deixa-nos mais presos e envolvidos na história, os plot twists, geralmente, apanham-nos de surpresa (pelo menos a mim), todos os “lados” têm um outro “lado”, as temporadas são simplesmente bem construídas.
Apesar dos homicídios, a série é leve e recheada de comédia, não nos deixa assustados, mas deixa-nos intrigados com o desenrolar da história.
Se gostam de mistério, de uma série leve e recheada de humor, mas com um toque de plot twist e tristeza, esta série é para vocês!
Não prometia nada, mas entregou tudo e, agora cá ando à espera do episódio novo da 5ª temporada todas as terças-feiras.
Quando acabei o último episódio nem acreditei, tenho a dizer que nunca iria achar que o assassino desta temporada era o mayor de Nova Iorque, e foi a primeira temporada que não tive nenhum palpite de quem é o assassino.
Apesar de ter gostado e de ter ficado presa a esta temporada, tenho a dizer que de todas, foi a mais fraquinha, gostaria que a história por detrás do assassinato do porteiro - o Lester - fosse mais elaborada que uma família de mafiosos e uma família de ricos que queria fazer do Arcónia (o prédio onde se passa a história da série) um casino, foi uma morte injusta e com poucos motivos para a sustentar.
Contudo, além de os episódios me prenderem, o final deixou-me super intrigada e ansiosa por mais.
Outro fator que me foi chamado à atenção pela Mariana e que fui depois procurar ao Tiktok, é que na abertura/intro de cada temporada e, às vezes, episódios, os produtores mudaram um bocado a abertura/intro e deixaram spoilers aleatórios. O cuidado da série vai mesmo a cada detalhe e, talvez, seja por isso que a série é tão bem constituída.
Ao longo da série, diversos atores conhecidos participaram, Nathan Lane aparece como Teddy Dimas (personagem recorrente), participações e convidados como Meryl Streep, Eugene Levy, Zach Galifianakis, Eva Longoria, Renée Zellweger, Keegan‑Michael Key, Paul Rudd, Jesse Williams, Cara Delevingne e entre outros.
Como se não bastasse o incrível elenco, plot, mensagem e as participações de diversos atores conhecidos, a série produz bastantes referências e homenagens a vários clássicos do cinema. Admito, que apanhar referências, nem sempre é o meu forte, então tive de ir pesquisar e, pelo que li, a série fez referência a cenas inspiradas em Once Upon a Time in the West, possuí citações diretas de Casablanca e alusões a The Apartment and Terms of Endearment (que, honestamente, desconheço).
E se estão tristes com o fim desta temporada… Não fiquem, a conta oficial do Instagram da série já anunciou o regresso para a 6º temporada!
No fundo, “Only Murders in the Building” é mais do que uma série sobre mistério e comédia, é uma série de recomeços, seja em que idade for.
Autoria: Carina
Autoria das fotos: People e Instagram oficial Only Murders in the Building
Revisão: Mariana Chorão

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