Confesso que, apesar de estar super entusiasmada, demorei um século a começar o livro. Só o comecei a ler quando eu e a Mariana decidimos lê-lo em conjunto, se calhar, se não o tivesse lido desta forma, ainda estaria por ler.

Como amante de romances que envolvam uma gotinha de hóquei, estava com as expectativas super elevadas com tudo o que ouvia dizer sobre o tal Zanders, a Stevie e Mile High pelas redes sociais. Se calhar foi da expectativa elevada que acabei por não gostar como esperava. Mas de facto esperava mais de um livro que era venerado e quase posto num pedestal como Mile High era. Acabei por dar 3/5 estrelas.

Ao início, a história prendeu-me bastante, os capítulos pareciam ter a quantidade certa de páginas, nem muito compridos nem muito curtos, as coisas não se desenrolaram nem muito depressa nem muito devagar.

Falavam de assuntos importantes, como as inseguranças e os mommy issues, mas a maneira como as coisas se foram desenvolvendo começaram a cansar. Gostei imenso de que o tema da saúde mental fosse mencionado, mas gostaria ainda mais se tivesse sido desenvolvido como outros problemas foram. Senti falta de saber um pouco mais sobre a Organização da saúde mental que o Zanders tinha com o seu amigo Maddison. O livro a meio deveria começar a andar mais depressa e não a andar para a frente e para trás.

Um problema enorme no livro, para mim, foi todas as personagens femininas descritas à volta da Stevie serem lindas, magras, de cabelo loiro e liso e ela ser a única com curvas, cabelo encaracolado, etc, achei irrealista e demasiado estereotipado. Atualmente, os cabelos ondulados/encaracolados já não são vistos como um cabelo feio, achei as descrições incoerentes. Para somar, estamos a falar de um livro lançado em 2022, nesse ano o “ter um corpo com curvas” já não era necessariamente visto como uma plus size nem mid. A escritora ter reforçado imensas vezes que ter curvas é sinónimo de não ser magra irritou-me.

Outro fator que achei problemático foram os comentários e pensamentos que o Zanders tinha ao início, apesar de ter gostado da evolução da personagem e de achar a mesma possível, teria gostado que a autora o tivesse o feito de uma forma mais soft, parece que estamos a lidar com um autêntico estúpido no início do livro e, quando começamos a chegar a perto de metade, a personalidade dá uma reviravolta gigante.

Depois de tanta evolução, o final acabou por me desiludir, ficou muito piroso para o início e meio que o livro estava a ter. A vibe não combinou comigo de todo e acabou por perder um bocado a sua piada.


"You following me?"

↬ Evan Zanders: Adorei-o, quero um para mim. Mas eu também me derreto com tudo o que parece não prestar e depois, afinal, é um amor de pessoa. A relação que ele tinha com os seus "sobrinhos" era linda e foi comovente ler as cenas entre eles. Sei que é um assunto pouco discutido, porque o personagem nem sempre teve os melhores pensamentos nem atitudes, mas eu acabei por gostar dele. Pode ter sido estúpido, mas evoluiu e os seres humanos fazem isso mesmo, mudam, ninguém é o mesmo para sempre. Para mim os pontos positivos foram capazes de superar os pontos negativos.


↬ Stevie Shay: Gostei imenso da personagem feminina, apesar de tudo sabia disfarçar bem os seus problemas e era uma autêntica bad ass. As inseguranças a nível da carreira e do futuro para além das que tinha em relação ao corpo e o desfecho das duas situações foi bastante bom.

Apesar de não achar que o livro necessita-se de quase 600 páginas, acabei, no geral, por gostar da história e tenho interesse em continuar a série.


Autoria: Carina

Autoria das fotos: Pinterest

Revisão: Rita Silva e Mariana Chorão