Duração da viagem: 12-04-2025 / 14-04-2025

 

Já vos aconteceu terem um grupo de amigas em que falam e falam em fazer uma viagem, ir passear, conhecer sítios novos, mas a conversa nunca sai do group chat? Pois, esta saiu! Pela primeira vez na história dos grupos de amigas, a viagem aconteceu realmente.


Eu e a Rita conversámos uma vez, durante uma viagem de autocarro (bastante aleatório), sobre irmos todas passar uns dias fora durante as férias da Páscoa. Ela sugeriu e eu achei logo uma ideia incrível (apesar de achar que não iria realmente acontecer).

Não muito tempo depois dessa primeira conversa, a Rita sugeriu a viagem ao resto do grupo. Claro que todas adoraram, nada melhor que uns dias com amigas para desanuviar do stress do nosso mestrado. Falámos sobre em que dias ir, sugestões de sítios, como iríamos, estava tudo idealizado.

No dia seguinte, marcámos a viagem!

Nada melhor do que estar numa das aulas mais chatas do nosso curso a planear uma viagem bem merecida. A Inês encontrou o sítio perfeito, a Rita fez a reserva e a Andreia começou logo a fazer uma das suas listas para não nos esquecermos de nada.

A casa que a Inês encontrou fica em Santa Luzia, Beja, tem quatro quartos (oito camas), duas casas de banho, piscina e espaço de churrasco. É bastante grande, confortável com um toque rural e fica numa zona isolada.

A viagem teve início num sábado depois de almoço. Combinámos que íamos quatro num carro e quatro noutro. A Catarina veio ter a minha casa e, quando a Rita chegou, partimos para o Oriente para apanhar a Mariana. Daí, seguimos caminho pela ponte Vasco da Gama em direção à estação de serviço de Alcácer do Sal (onde nos íamos encontrar com as meninas que vinham da Linha de Cascais).

Apesar de a Rita ser uma ótima condutora e eu uma excelente passenger princess, é claro que algo tinha de correr mal. Uma viagem de amigas não era oficial se não houvesse um contratempo, certo? De forma muito resumida, andámos às voltinhas, graças ao incrível Google Maps, e acabámos por ir parar à estação de serviço do lado errado da autoestrada. Contudo, depois de mais uma voltinha, lá nos encontrámos com as restantes meninas no sítio combinado.

Após uma fatia de bolo de noz feito pela Todi, um cafezinho para a Rita, uma fantástica fotografia de grupo (a primeira, finalmente) e muitas fofocas, seguimos caminho para a casa enquanto a Todi, a Inês, a Teresa e a Andreia iam fazer as últimas compras necessárias. 


Ainda antes de chegarmos, percebemos logo o quão isolada era a casa. Não havia praticamente nenhuma casa por perto para além da da anfitriã. A senhora veio receber-nos e foi super simpática. Explicou-nos como tudo funcionava e desejou-nos uma boa estada. Levámos logo as bagagens todas para dentro e aproveitámos que estávamos só as quatro para explorar um pouco. Dois quartos ficaram logo escolhidos: o da Mariana, que o ia partilhar com a Andreia, e o da Rita e da Catarina. Decidi ser uma querida e esperar que a Teresa chegasse para escolher o quarto em que queria ficar e partilhar com a Inês. Eu acabei por ficar com o quarto que restou e dividi-o com a Todi (foi um milagre nenhuma de nós ter morrido durante o sono!).

 

Nota: os quatro quartos eram bastante idênticos e as camas do mesmo tamanho, era apenas uma questão de localização, um deles era ligeiramente mais afastado, dois eram bastante perto de ambas as casas de banho; e de conforto, a Mariana teve direito ao único quarto com camas separadas para ninguém incomodar o seu sono de beleza (como quem diz, o sono da Andreia, que teve o azar de partilhar o quarto com ela!)

 

Quando as restantes meninas chegaram com as compras, o relógio já passava das sete da tarde. Depois de os quartos estarem escolhidos, de termos explorado a casa e os arredores e tirado algumas fotografias, começámos a tratar do jantar: hambúrguer no pão com alface, tomate e cebola. As cozinheiras de serviços (durante toda a estada) foram a Rita e a Todi, que cozinham maravilhosamente bem. Fizemos uma refeição acompanhada de muita bisbilhotice, boa música e concerto privado da Mariana.

A Todi, durante o jantar, teve a brilhante ideia de partilhar a sua tradição familiar de batermos uma palma (sim, leram bem, apenas uma) como forma de apreciar o trabalho do/a cozinheiro/a. Este ritual manteve-se em todas as nossas refeições e rapidamente se começou a aplicar às coisas mais aleatórias.

Tratámos da loiça (contributo especial da Inês) e tivemos direito a outro concerto privado, desta vez não só da Mariana, mas também da Andreia. Não esperava as duas a cantar êxitos da Nicki Minaj, como “Anaconda” e “Super Bass”. Foi realmente impressionante.

Depois, fomos para a pequena sala jogar UNO acompanhadas de música clássica (às vezes, a Todi até tem ideias engraçadas!). Acabámos a noite na mesa do pátio a conversar sobre coisas aleatórias enquanto eu tentava não entrar em hipotermia (decidi levar calções de pijama e não calças).

Na hora da skincare, há sempre alguma confusão por sermos tantas e haver apenas duas casas de banho, mas depois de sabe Deus quanto tempo, estávamos prontas para ir para a cama.

Eu e a Todi, depois de nos deitarmos e estarmos já de luz apagada, ficámos ainda a conversar um pouco sobre coisas aleatórias. A nossa paixão mútua por masked men, o estágio que temos de fazer no próximo ano letivo e o quanto eu queria que ela fosse uma melhor roommate que a Mariana! (tive muita sorte neste aspeto, a Todi não ressonou e dormiu a noite toda no seu cantinho).

 

Nota: é só para deixar claro que a Mariana não ressona, apenas não consegue dormir no seu lado da cama.

 

No domingo levantei-me relativamente cedo e fiquei à espera que a Todi se levantasse, apenas para chegarmos à conclusão de que estávamos ambas à espera uma da outra. Tomámos o pequeno-almoço com a Inês e a Catarina (entretanto a Mariana também se levantou) e decidimos ir para a piscina apanhar sol e ler os nossos ebooks (eu e a Todi começámos “Lights Out”, de Navessa Allen, e a Inês continuou a ler “Children of Virtue and Vengeance”, de Tomi Adeyemi).


O plano saiu furado, a relva sintética da piscina ainda estava húmida e, mesmo com toalhas, ficámos rapidamente com os rabos molhados e optámos por ir para as cadeiras do pátio. O sol estava sempre a encobrir, mas optámos por vestir os nossos biquínis na mesma para bronzear um pouco. Não há nada melhor do que estar a ler um bom livro com um masked man enquanto bronzeamos com as nossas amigas (aqui a Andreia também já se tinha juntado a nós com o seu “The Reappearance of Rachel Price”, de Holly Jackson).

Assim que o sol deixou de desaparecer a cada cinco minutos, decidimos dar outra oportunidade à piscina e fomos bronzear à séria. Claro que, com tantas trocas e andar de um lado para o outro, chegou rapidamente a hora de almoço.

A Rita foi, mais uma vez, a cozinheira de serviço e fez um strogonoff que estava delicioso.  Depois de tratarmos do almoço, voltámos para a piscina e continuámos com a leitura. Por esta altura a Todi já estava bem mais à frente no livro que estávamos a ler do que eu, por isso aproveitei para bronzear mais do que ler.

Após uma incrível aula de Zumba entre a Mariana e a Inês, houve também tempo para uma aula de Ioga para mim, a Todi, a Inês e a Catarina. Uma piscina faz milagres às nossas vidas de sedentárias! A água estava gelada para uma pessoa friorenta como eu, mas não podia perder a oportunidade de dar o primeiro mergulho do ano. 

Quando começou a ficar frio, já depois das seis da tarde, fomos todas tomar banho para começarmos a preparar o jantar, que ia ser churrasco (ênfase no «ia»!). Foi na altura do meu maravilhoso banho que não só percebi que estava minimamente bronzeada, mas que também tinha apanhado um mini escaldão.

Ao estarmos todas prontas e de banho tomado, demos início à nossa tentativa de fazer o churrasco. Claro que decidimos que o íamos fazer sem nunca confirmar que alguém realmente sabia o que fazer. Após uns vinte minutos de tentativas falhadas, optámos por cozinhar à moda antiga – com forno e fogão.

Eu e a Todi ausentámo-nos por breves momentos para irmos fechar as portadas e apanhámos as duas um grande susto. A casa praticamente não tinha iluminação no exterior, por isso ligámos as lanternas dos telemóveis. Contornámos uma parte da casa e parámos assim que ouvimos, como nos filmes de terror, um barulho vindo dos arbustos. Desatámos a correr que nem duas doidas, fechámos as portadas tão rápido quanto possível e, no processo, a Todi ainda conseguiu pisar, sem querer, um caracol inocente.

Voltámos para casa a tempo do concerto que estava a ocorrer ao vivo da Mariana, com direito até a coreografia, e com a camera woman Inês! A música era das XG, mas toda a viagem foi repleta de músicas KPOP, pois eu e a Catarina somos as únicas que não apreciamos (elas não vão desistir de tentar converter-nos).

Jantámos ao som de uma incrível seleção de músicas feita pela Teresa, com música ao vivo – cortesia da Mariana – e limonada feita pela Andreia. Houve também conversas sobre uma próxima viagem que já estamos todas desejosas de fazer.

O plano para depois da refeição era ver um filme. Infelizmente, após uma votação claramente inútil, foi decidido que íamos ver um filme de terror. DE TERROR. As minhas amigas tinham claramente de ter mau gosto em alguma área. O escolhido foi “The Conjuring”. Passei o filme todo aos gritos e guinchos, pois o meu coração não aguenta jumpscares nem nada do género. Saber que o filme é baseado em factos reais, embora não acredite em nada disso, não ajudou em nada o meu pânico.

Ao chegar o fim do filme, chegou também o fim da nossa última noite de férias. Lavámos os dentes, fizemos as skin cares e fomos deitar-nos. Claro que após um filme daqueles, algumas de nós, incluindo eu, ouvimos barulhos estranhos durante a noite. Alguns deles sem explicação (recuso-me a acreditar que o que ouvi foi uma cobra).

Na manhã seguinte, tomámos o pequeno-almoço, arrumámos as últimas coisas e fizemo-nos à estrada (tínhamos até às dez da manhã para sair). A viagem foi acompanhada de um carpool karaoke, pois graças ao Spotify conseguimos estar em dois carros diferentes a ouvir as mesmas músicas ao mesmo tempo. Estava tudo a correr muito bem até a Todi me privar dos meus Coldplay. Qualquer pessoa decente sabe que isso é um crime imperdoável. Como vingança, impedi-a, duas vezes, de ouvir os seus queridos Chase Atlantic. Agora estamos quites, Todi!

Combinámos parar no Alegro Montijo para ainda almoçarmos juntas e, após uma breve visita à FNAC para ver livros e uma também breve discussão sobre filmes de terror, foi exatamente isso que fizemos.

Quando chegou a altura de nos despedirmos, estava a chover bastante, quase como se até a meteorologia estivesse triste pelo fim da nossa viagem!




 Autoria da publicação: Mariana

Fonte das imagens/fotografias: Mariana

 Revisão: Rita Silva e Mariana Chorão