Em 2022 (sim, 2022), pedi o livro no Natal por ter ficado apaixonada pela capa e tenho a dizer que foi uma enorme surpresa! 

Apesar da inocência e leveza da capa, o livro aborda imenso o tema do luto, tanto sobre quando perdemos alguém, quando há um divórcio e sobre quando temos de apagar a imagem de alguém após inúmeras atitudes negativas da sua parte que julgávamos que nunca aconteceriam. Como faço parte das pessoas que muitas vezes compram um livro pela capa sem sequer ler a sinopse, a história fez-me rir e fez-me chorar, partiu-me o coração e colou os pedacinhos de volta.

Após ter visto o pai a beijar outra mulher e ver o divórcio dos pais a acontecer, Evie para de acreditar no amor. Com a dor toda que estava a sentir acaba por pegar em todos os livros de romance que tem e decide doá-los, no caminho, cruza-se com uma senhora que lhe entrega o livro “Instructions for Dancing” e é, nesse momento, que a vida dela começa a sofrer umas alterações. Chega a casa e ao deparar-se com a irmã e o namorado a beijarem-se, tem visões de como eles se conheceram e o processo todo até então. 

O que parecia ter sido uma alucinação torna-se num evento recorrente e a nossa protagonista começa a ser capaz de ver o passado e o futuro de cada par amoroso.

Um pouco perdida com o que se passa, a Evie decide ir ter à morada que se encontrava no interior do livro que tinha recebido da senhora e vai ter ao  “La Brea Dance Studio”. Ao inscrever-se nas aulas, Evie começa a apaixonar-se um pouco pela dança e, simultaneamente, por Xavier. 

Xavier é o oposto da Evie, enquanto tira proveito de todas as situações e é feliz enquanto pode, a Evie evita sequer considerar a hipótese de deixar o positivismo ganhar ao pessimismo que ela sente diariamente. 

Com os dias, Evie acaba por dar uma chance ao amor e, infelizmente, vê como acaba a história dela com o Xavier, o que a faz entrar em pânico e acabar tudo com ele. Durante a recuperação de uma relação acabada, Evie começa a pensar se foi melhor ter acabado tudo ou se os anos que ainda tinham pela frente valeriam a pena o coração partido e o luto pelo qual ela iria passar.

Este romance não teve nada a ver com os romances que costumo ler, evito uma grande parte das vezes romances que não tenham um final 100% feliz ou que nos mostre a realidade da vida, que nem sempre é a mais bela. O Xavier veio para ensinar à Evie que a vida tem de ser vivida, recheada de experiências e emoções e a Evie veio para nos mostrar que não vamos ficar com o coração partido para sempre.

Gostei imenso que a autora tenha usado uma traição de um dos pais e um divórcio como motivo do pessimismo todo que a Evie sentia. Atualmente, vemos (inclusive nos nossos amigos) tantos divórcios a acontecer que, por vezes, tiramos-lhe um bocado a importância e desprezamos a dor que possa causar. Não só a dor que um dos pais causa ao outro, mas também a dor e desilusão que causa nos filhos.

Os pais têm uma vida toda antes de termos nascido, é verdade, e a versão que temos deles pode ser tão incompleta que quando algumas atitudes destroem essa imagem acabam por destruir a admiração que tínhamos por eles, o que não é fácil de passar, leva o seu tempo. A revolta da Evie ao que aconteceu foi bem descrita, não o faria melhor, não é por sermos nós a criança que não podemos ficar chateados.

A mensagem que o livro passou tocou-me. Às vezes, para nos protegermos, tiramos o penso logo. Apesar de ser uma boa estratégia, o facto de evitarmos ser magoados constantemente tira um pouco o propósito da vida. Vida só temos uma e devemos abraçá-la com tudo o que ela nos tem para oferecer e isso inclui as suas coisas menos positivas. 

Perceber que arriscar no amor pode acabar num coração partido, mas que esse coração partido vale a pena o caminho todo dessa história é importante. Nem todas as relações são para sempre, mas é imprescindível aprender a ultrapassar essa dor e medo que este facto causa. Com este pensamento, Evie decide dar uma oportunidade às pessoas da família dela que a magoaram e permitiu-lhes espaço para voltarem a pertencer à sua “vida”. 

A única parte que me desiludiu foi a rapidez nos últimos capítulos, sinto que ficou a faltar-me algo, de que precisava de mais. Mas se calhar a intuição da escritora era passar-nos esse sentimento.

“If you get very, very lucky in this life, then you get to love another person so hard and so completely that when you lose them, it rips you apart. I think the pain is the proof of a life well lived AND well loved.”


Autoria: Carina

Autoria das fotos: Carina

Revisão: Rita Silva e Mariana Chorão