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| Fonte: Grammarly |
Em 2021, tive a minha primeira experiência no mercado de trabalho: trabalhei como lojista num centro comercial.
Quando entrei para a faculdade, pensei que seria possível passar a licenciatura sem o portátil em condições, mas não podia estar mais enganada. Tinha um Lenovo há anos, que tinha de estar sempre a carregar e sem a bateria colocada, era lento e desligava-se uma ou outra vez. Não sei como é que funciona nas outras universidades, mas na minha optaram por realizar inúmeras avaliações nos portáteis pessoais dos alunos, o que, consequentemente, criou a minha necessidade de ter um novo, para o qual não tinha dinheiro.
Acabei por ter de pedir algumas vezes aos meus amigos que me emprestassem os seus portáteis e, por isso, decidi que era uma boa ideia arranjar um emprego para poder comprar um portátil e parar de incomodar os outros.
Já tinha mandado imensos currículos no ano anterior, pois sempre quis ter independência e facilitar a vida aos meus pais, mas naquele verão precisei mesmo de me esforçar por encontrar um emprego, mesmo que fosse um reforço de férias. Após imensos meses de procura, fui mais uma vez, pessoalmente, entregar currículos. Foi nesse dia que consegui a minha primeira entrevista, marcada para o dia seguinte. Cheguei antes da hora, como já devem imaginar, estava super nervosa. Não tinha experiência nenhuma em relação a outras candidatas, tinha apenas a minha personalidade a entregar, mais nada. Durante a entrevista fui o mais honesta possível, a gerente perguntou os meus pontos fortes e fracos e ainda me pediu para falar um pouco dos meus hobbies.
Apesar de não ter experiência, a gerente decidiu apostar em mim e eu decidi agarrar a oportunidade com tudo. No primeiro dia de trabalho, estava tão ansiosa que foi a primeira vez que risquei o carro. Ainda me lembro de pensar que se calhar não ia conseguir acompanhar os procedimentos todos da loja, o que é irónico, visto que sou uma pessoa com facilidade em aprender. Em uma semana aprendi bastante, em duas mais ainda e acho que posso mesmo dizer que acabei mesmo por me enquadrar, não só na função que me era pedida, mas no ambiente em que estava inserida. Correu tão bem, que voltei a trabalhar na loja.
Mas não fiquem a pensar que a aprendizagem e a adaptação ao primeiro emprego é assim tão linear, cometi imensos erros até atinar. Cheguei a não bipar* uma peça de roupa, cheguei a deixar a loja um pouco suja sem ter notado e cheguei mesmo a incomodar a minha gerente devido à impressora, pois nunca tinha mexido em nenhuma. Apesar de todos os erros que fiz, sou eternamente grata à gerente e às lojistas daquela loja, por me terem dado uma oportunidade, por me terem ensinado e por, de certa forma, serem responsáveis em parte na minha transição de jovem para adulta.
A verdade é que o primeiro emprego é assustador, mete-nos medo e deixa-nos ansiosas, mas o que realmente importa é irmos para a frente e arriscarmos, com ou sem medo.
Notas: * bipar - passar o código da roupa.
Autoria: Carina

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